
Lá fora, olhando pela grade do portão, ele cantava mamãe eu quero. Passou a mulher vendendo ovos e lhe deu um. Grande e marrom. Entrou equilibrando aquilo nas pontas dos dedos da mão direita: Ó! Sou malabarista! Foi pra cozinha e começou a operação meticulosamente. Pegou um dos potes de comer cereal, o amarelo: pra ficar mais quentinho porque é cor do sol da hora que vou pra escola. No banheiro, fuçou no armário até encontrar o pacote fechado de algodão. Com os chumaços foi montando a caminha dentro do pote. Arrumava o ovo lá no meio dos algodões e olhava. Aí arrumava de outro jeito. Depois olhava. Mudou minimamente e sorriu: pronto. Começou a cobrir com os algodões, terminando com um trapo marrom que encontrou na casa da vó. Quando viu a cara da mãe olhando, de braços cruzados, encostada no batente da porta, fez a cara dele de paciência: não posso sentar em cima senão quebra!
Um comentário:
E sempre penso naquele personagem tão conhecido!!! Equilibrista, malabarista... artista! Mas esse é só seu, sua arte!
Farofafá
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