Descontínuo Reverso

Fotografia: Chema Madoz (Espanha, 1958).

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Sobre gatos

Foto: Carlos Pérez Siquier (Espanha, 1930). Almeria, La Chanca.


Talvez comece a chover, por isso vi o gato rondando a casa, procurando algum vão pelo qual pudesse passar e se esconder. Da chuva e de mim. Chegava da rua e vi aquele andar agachado de soldado camuflado espreitando minha janela. Com o ranger do portão ele nem olhou pra trás. Correu do jeito engraçado, as orelhas deitadas. Ele não tem nome. Tem vários e nenhum. Impossível buscar algum canto da vida sem encontrar um gato. Na infância, muitos. Começou com a gatinha preta de rabo torto que mudou comigo pra casa ainda em construção. Ela com algumas semanas, eu com seis anos. O último foi Renard. Um gato de patas curtas e focinho estreito. O rabo longo e espesso. Os pêlos compridos como os de um persa, mas igual a um siamês nas cores. Dos pêlos e dos olhos. Os olhos azuis. Eram estalados. Assustados. Pra mim, era uma raposa que se coloriu diferente. Quando me mudei, quis que ele fosse junto. Ele ressabiou. Preferiu as visitas perto das cinco da tarde. Comer comigo queijo fresco com café. Minha barriga crescia. Renard continuava ressabiando. Até que sumiu. Da minha casa e da casa da minha mãe. Quase visinhas. Antes, fez xixi no livro do T.S.Eliot que estava na minha cabeceira, mas que não era meu. Via seu andar de raposa nos telhados a minha volta. Apareceu uma gatinha siamesa na casa da minha mãe. Quando alcançou idade, engravidou do Renard. O filho é esse que agora me ronda. Que não dei nome. Não adotei. Os que conheciam, disseram que o Renard morreu. Comigo ficou como reflexo olhar sempre pros telhados toda vez que me sinto observada.

3 comentários:

Rodrigo disse...

(...)Coraline suspirou.
- Por favor, qual é o seu nome? - perguntou ao gato. - Olha, sou Coraline, tá?
O gato bocejou lenta e cuidadosamente, revelando uma boca e uma língua de um rosa impressionante.
- Gatos não tem nomes - disse.
- Não? - perguntou Coraline.
- Não - respondeu o gato. - Agora vocês pessoas têm nomes. Isso é porque vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes.

Neil Gaiman
Coraline

Biagio Pecorelli disse...

escreve em postas de chumbo.
cortadas a faca de pluma.

é densa e sutil, moça.

beijo pra ti

freefun0616 disse...

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