
Senti o sorriso se fazer sem graça. De uma evidência constrangedora, o meu descontentamento. Inclinei o rosto. Brinquei com o chaveiro nas mãos. Ajeitei no ombro a alça da bolsa. Mas ele me seguiu os gestos. Os olhos sempre em mim. Pressentiu minha intenção. Não me deixou fugir. Fiquei aflita e translúcida. E foi proposital. Aqueles segundos imensos pra me dizer que ele sabia. Acredito agora que até da pungência dos meus sonhos repetidos ele soube ali. Queria que ele dissesse alguma coisa que me permitisse ir embora. A boca se apertava mais e mais. Lia na minha impaciência crescente, naquele pequeno espaço de uma esquina, que o meu desejo era outro. Ouvir de outro. Quando respirou fundo e fechou os olhos, eu petrifiquei: soube. E agora diria em voz alta o nome que guardo. Não. Pediu desculpas pelos elogios. Ainda dizendo as últimas palavras, deu meia volta e seguiu na direção da praça. Eu voltei pra casa sem comprar os ovos.
2 comentários:
Adorei seu blog e a sua visita.
Voltarei!
Muitos beijos*
Suas palavras nascem envoltas em neblina, como a manhã, menina matutina, que a água que conserva o frio da noite transe.
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