
Edouard Bobat (Paris, 1923 - 1999). Nazaré, Portugal, 1956.
Afundado no bojo arenoso do casco
meu corpo é um trate da saudade longa
estirado estripado por tentáculos verdes de algas fundas
vago no convés entre as gentes
como movente e dispersa corda solta do alto
pendular
com a foto tirada lá do outro lado
imagino que agora estou no meio
e me parto em grito de vôo diviso
e me seguro firme na borda que deita ao mar
homem – silvo de vento louco
que a cada respiração oprime o peito
com a maresia excessiva do cérebro
rangendo entre os dedos a melancolia
espécie transeunte entre o barco e o que virá
me fecho do medo com os olhos no céu
Poema publicado em Caderno Literário: O imaginário do mar e do navegador, p. 47.
4 comentários:
Muitas vezes quando leio algo aqui, ou no seu orkut... Acho que você é a pessoa que mais sensibilidade tem, dessas que eu conheci desde que me conheço... Digo isso porque fico confuso também... E porque me sinto feliz, pasmo e sensibilizado além de muitas outras... As suas palavras sãos belas como se devem ser as palavras. Só queria deixar aqui o que sinto. Eduardo...
adorei o poema ;D
I'm appreciate your writing skill.Please keep on working hard.^^
Postar um comentário